

Da forma como está no site da câmara, a proposta da atual Mesa Diretora que prevê aumentar de R$ 1.909,79 para R$ 2.430,80 o salário de 9 assessores de vereadores, realmente precisa ser analisada com calma. A mudança de nome para “Assessor Parlamentar” e o texto mais técnico das atribuições tornam o documento mais organizado, mas não parecem justificar, por si só, um reajuste de 27%, mantendo as mesmas 30 horas semanais. Na prática, as atribuições permanecem muito próximas daquelas já previstas, apenas mais bem estruturadas.
A questão mais sensível é a ausência de memória de cálculo, que impede compreender tecnicamente como o novo valor foi definido. É esse documento que esclarece, de forma objetiva, os fundamentos numéricos do reajuste. Atualizar tarefas ou nome de cargos não substitui a necessidade de critérios claros, nem de demonstrar o real benefício ao interesse público.
Esse cuidado não é exagero. Há algum tempo, ocorreu um fato parecido na Câmara: alertas foram feitos, mas acabaram ignorados, e o desfecho veio depois com uma ordem judicial determinando a devolução de valores, devidamente corrigidos. Na administração pública, quando decisões financeiras não têm base sólida, a conta geralmente chega depois, mais cedo ou mais tarde, e para todos.
Nada contra o aumento, até porque o valor não é tão elevado diante de um orçamento que saltará para R$ 3,1 milhões. O essencial é que sua aprovação siga critérios legais, mesmo que a intensão do projeto seja beneficiar somente 9 assessores dos vereadores. A câmara precisa demonstrar cuidado e respeito por todos os servidores, especialmente os efetivos que seguem regras rígidas.
Mesmo assim, o projeto ainda precisa de elementos essenciais para tramitar; é melhor reavaliar agora do que lidar depois com problemas causados pela pressa. Afinal, cautela pode até parecer chata, mas transtornos por precipitação podem ser bem pior. O princípio da isonomia deve ser rigorosamente observado em todas as decisões administrativas.