
Ontem, ao passar por uma rua, fui surpreendido por uma cena que, além de me alegrar, renovou ainda mais minha esperança no futuro. Duas crianças e um adolescente improvisaram um pequeno balcão de papelão para vender guloseimas. Como eu já havia passado pelo local, a curiosidade me fez retornar o veículo e parar. Logo percebi que, além de vender, administravam um pequeno negócio. Enquanto dois atendiam os clientes, o terceiro registrava, em um caderno, cada venda realizada e seu respectivo valor.
Resolvi conversar com eles. Perguntei se estavam vendendo bem. Consultaram o caderno e responderam, orgulhosos: “Só ontem vendemos mais de R$ 70,00.” Em seguida, provoquei: “Então vocês podem dividir todo esse dinheiro e gastar como quiserem, certo?” A resposta foi imediata: “Não!” Perguntei o motivo. Com a simplicidade de quem já havia aprendido o essencial, responderam: “Porque, se gastarmos tudo, não teremos dinheiro para comprar mais mercadorias.”
Naquele instante, ficou claro que, mesmo sem conhecerem a linguagem da contabilidade, já colocavam em prática conceitos fundamentais, como controle de receitas, registro das operações, preservação do capital de giro, reinvestimento dos resultados e continuidade do empreendimento.
Embora o episódio envolva meus sobrinhos-netos, cujos pais autorizaram a divulgação, situações semelhantes vêm acontecendo em muitas famílias. O que realmente merece destaque é a demonstração de que a educação financeira nasce no ambiente familiar e ganha força com as iniciativas de educação fiscal desenvolvidas no município. Quando esse aprendizado começa cedo, crianças e adolescentes desenvolvem hábitos de planejamento, responsabilidade, poupança e investimento, tornando-se adultos mais preparados para administrar a própria vida, contribuir para o desenvolvimento da sociedade e assumir, no futuro, importantes responsabilidades em empresas, instituições e na vida pública.