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8 de junho de 2026

Lavadouro: Um Luxo para os mais pobres, um Marco para Barroso

Quem vê Barroso hoje, com água encanada, energia elétrica e tantas facilidades, muitas vezes não imagina como era a vida entre as décadas de 1960 e 1970, principalmente. Naquela época, a maioria das casas não tinha água encanada, energia elétrica nem fogão a gás.

A rotina das famílias era organizada de acordo com as necessidades. Havia dia certo para lavar roupas e dia reservado para buscar lenha, já que o fogão a gás era um luxo para poucas pessoas.

As mulheres acordavam cedo e caminhavam até os espraiados do Rio das Mortes ou às bicas que existiam, principalmente entre os bairros Josefina Coelho, Joaquim Gabriel de Souza e Nova Barroso. Ali passavam horas lavando roupas, conversando e compartilhando as dificuldades da vida. Depois, estendiam as peças sobre os galhos mais baixos das árvores e, quando secavam, eram levadas para casa, onde ainda eram passadas com ferros aquecidos na brasa.

O banho era em bacias, com água aquecida no fogão a lenha. Os banheiros eram simples privadas no fundo dos quintais. As quitandas eram assadas em forno de tijolo e barro, as noites iluminadas por lamparinas, e a água era guardada em grandes latões para beber e lavar as vasilhas. As canecas, muitas vezes feitas de latas de extrato de tomate, ficavam penduradas em pregos nas paredes.

Foi nesse cenário que a construção de um lavadouro, no final da Avenida Francisco de Paula Souza, pelo então prefeito Genésio Graçano, representou uma grande conquista. Para muitas famílias, especialmente para as mulheres, aquele espaço trouxe mais conforto e dignidade, tornando-se um marco de progresso para a população mais humilde até a chegada da água encanada.

A vida, de fato, era difícil e cheia de sacrifícios. Mesmo assim, havia união, solidariedade e alegria. As pessoas dividiam o pouco que tinham, ajudavam umas às outras e encontravam felicidade nas coisas mais simples. São lembranças de um tempo sem conforto, mas repleto de coragem, trabalho e humanidade, que ajudaram a construir a história de Barroso.

Enfim, o progresso que hoje desfrutamos foi construído pelas mãos calejadas de quem nunca desistiu de Barroso. Agora, cabe à nossa geração honrar esse legado e construir, com dedicação, a cidade que deixaremos para as futuras gerações. Não é uma história de ficção, é uma realidade exemplar.

Foto do Lavadouro gentilmente cedida pelo Brasilino de Melo Neto

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